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Design português à conquista do mundo… Design português à conquista do mundo…

Design português à conquista do mundo…

Design português à conquista do mundo…

Portugal está na moda e o made in Portugal também. São cada vez mais as marcas de design português a apostar, com sucesso, na internacionalização.


Publicado em 10-Abr-2019

Há muito que a histórica Vista Alegre ganhou reconhecimento internacional, presente em lojas de todo o mundo, com um recorde de prémios de design e várias parcerias com outras marcas de prestígio como a Christian Lacroix. Mas não é a única. Depois de uma quase falência, a Bordallo Pinheiro apostou, na última década, numa bem-sucedida estratégia de valorização da marca, passando da crise ao crescimento e expansão internacional, a ponto de recentemente ter aberto duas lojas em Paris. Serão estes, talvez, dois dos mais conhecidos casos de sucesso no design made in Portugal, mas a verdade é que há cada vez mais marcas nacionais a dar as cartas.  Em áreas como o mobiliário, a iluminação ou os têxteis, provam ao mundo (e aos portugueses) que à excelência produtiva nacional corresponde a excelência ao nível da inovação tecnológica, mas também ao nível da criatividade da criação.

Participantes assíduas de grandes feiras internacionais como a Maison & Objet de Paris, a Milano Design Week ou o Salone del Mobile Milano, há marcas portuguesas com décadas de história e uma posição de relevo no mercado. A Ferreira de Sá, uma empresa familiar fundada em 1946, em Espinho, é um bom exemplo, sendo reconhecida como uma das maiores, mais antigas e mais prestigiadas empresas que fabricam tapeçarias artesanais na Europa. Cada um dos seus tapetes é cuidadosamente feito à mão por artesãos, e vale muito a pena seguir com atenção as suas coleções, que vestem casas, hotéis e até iates em todo o mundo.

O mesmo acontece com a Boca do Lobo que, apesar de mais recente, é uma das marcas portuguesas mais internacionais do mundo do mobiliário de luxo. Num estilo que combina tradição e contemporaneidade, teve mais de 30 peças de mobiliário nos cenários do filme As Cinquenta Sombras de Grey, já integrou leilões da londrina Christie’s e recentemente assinou uma parceria precisamente com a Vista Alegre, que deu origem a um móvel-bar de luxo, limitado a oito exemplares e com um preço de venda de 45 mil euros! Mas há muitas outras. É o caso da Wewood (na imagem em destaque), marca de mobiliário de estética depurada, que valoriza a alta marcenaria, aliando o know-how do trabalho da madeira maciça com tecnologia de ponta e design de autor. Cada uma das suas peças é única e feita com técnicas inovadoras, tendo por base parcerias com designers nacionais e internacionais.

Com um percurso muito interessante, com origem num concurso da Fundação de Serralves, a DAM é uma marca que combina técnicas tradicionais e materiais como a cortiça e a corda com desenho criativo. Ambas com presença internacional e em projetos de turismo como o Craveiral Farmhouse, em plena costa alentejana. Outro exemplo de design sustentável para a casa é o trabalho da Boa Safra, com uma coleção de peças simples de design intemporal assinadas por designers portugueses, fabricadas localmente, com utilização de materiais e acabamentos naturais.


Na área da iluminação, a Exporlux, fundada há mais de 30 anos, goza de um forte reconhecimento ao nível do design, flexibilidade e qualidade, mas vale a pena estar atento ao trabalho de marcas mais recentes como a Musgo, cujas peças, sobretudo candeeiros, têm uma preocupação ecológica, recorrendo à reutilização de madeiras de mobiliário, portas, pisos e estruturas de casas portuguesas antigas, para criar soluções de ecodesign, simples e originais. Por reutilizarem madeiras descartadas, cada peça é única e irrepetível, sempre feita à mão.

Depois há autores como Martinho Pita, que tem um trabalho interdisciplinar incorporando arquitetura, design de produto, fotografia e instalações de arte. “Bichos”, uma coleção de candeeiros feitos manualmente a partir da reutilização de ramos provenientes da poda das azinheiras, teve muito sucesso a nível internacional, com destaque em revistas de design e decoração de todo o mundo. Mais recentemente, lançou também a “Gotas”, candeeiros de vidro soprado manualmente que fazem lembrar gotas de água que se moldam a diferentes superfícies como um canto, uma aresta ou um plano.

Ou ainda projetos como a Vicara, que se distingue das demais marcas no mercado pelo seu catálogo de peças experimentais na área da iluminação, mobiliário, cerâmicas ou acessórios. A ideia é apostar na edição de produtos de jovens autores portugueses (como Eneida Tavares, João Valente, Jorge Carreira, Samuel Reis e Vitor Agostinho) do design de produto. Além da loja online, a Vicara está representada de norte a sul do País, com especial destaque nas lojas da Rede Nacional de Museus e no MAAT – Fundação EDP, em Lisboa, e no Porto nas lojas Porto Design Biennale e Banema Studio. Ou ainda em capitais internacionais como Nova Iorque, Berlim, Paris, Londres ou Toronto.

Partindo das técnicas ancestrais da cerâmica das Caldas da Rainha e de materiais como a faiança, a Laboratório d’Estórias surge em 2013 como um espaço experimental de design que pretende inspirar-se nas histórias da cultura popular portuguesa para reinventar objetos tradicionais. Presença assídua de feiras internacionais e em lojas de design ou em lojas como A Vida Portuguesa, a verdade é que já é um sucesso, com peças icónicas como “A Medusa e o Manjerico”, “O Corvo Malandro” ou “A Árvore de Natal”.

Mas há tantas outras histórias para contar e projetos para conhecer. Há a Alma Gémea, que funde a cortiça e a cerâmica, dois materiais nobres profundamente ligados à tradição nacional; a Mèzë, marca de acessórios de cozinha inspirados no Mediterrâneo; as mantas da Stró, feitas na Serra da Estrela; os candeeiros da Névoa, que recorre à experiência dos artesãos e se diferencia pela técnica serigráfica; ou ainda a Galula, marca de mobiliário e iluminação criada pela dupla de designers Mendes Macedo… uma viagem à descoberta da criação nacional que pode continuar a fazer daqui para a frente.