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Restaurante Meat Me, o prazer está de volta à carne Restaurante Meat Me, o prazer está de volta à carne

Restaurante Meat Me, o prazer está de volta à carne

Restaurante Meat Me, o prazer está de volta à carne

A melhor carne deste mundo, cocktails do outro, vinhos raros e um ambiente de clube londrino, num espaço único em Lisboa. Meat Me, um trocadilho e um convite.


Publicado em 28-Jun-2019

No Meat Me a carne não é fraca. Pelo contrário, serve-se a melhor do mundo – literalmente – cortesia de El Capricho, uma finca espanhola que produz uma carne que tantos, incluindo a Time e o Guardian, consideram como a melhor. A Netflix até já fez um documentário sobre isso…

O Meat Me assume-se claramente como um projeto diferente, até por ser um templo de carne, numa época em que a moda são as preocupações vegetarianas ou, pelo menos, em cortar ao máximo com as carnes vermelhas. Aqui, pelo contrário, acredita-se que o problema não está na carne, mas antes no seu consumo excessivo, que ainda por cima se faz na generalidade com produtos de baixa qualidade. Não, dizem eles, somos carnívoros e devemos consumir, só que moderadamente e optando sempre pela qualidade – e essa está a uma reserva (de mesa) de distância.

      O Meat Me tem menus ao almoço, que oferecem uma boa noção da experiência completa, e por um preço mais em conta, mas pelo menos por uma vez deve experimentar o espaço com tempo, até porque este não é restaurante para ir apressado. Ao entrar deparamo-nos com uma escolha: subir as escadas em direção à mezzanine e ao bar, ou descer em direção ao restaurante. A opção slow food empurra-nos para cima, e ainda bem, porque este é um dos espaços mais bonitos de Lisboa. O ambiente é muito clube inglês (ou americano) dos anos 1930, com madeira de mogno e cadeiras de veludo ou couro – mais uma peculiaridade que resulta tão bem. Ao fundo, na sala, grandes sofás, uma mesa de jogo, biblioteca e uma lareira decorada com espadas de esgrima não deixam dúvidas quanto ao ambiente que se quer recriar.

      O bar ocupa todo o corredor e é um paraíso para quem gosta de whiskies e cocktails. O ideal mesmo será confiar na sabedoria da equipa e aceitar os seus conselhos, até porque muitos foram criados especialmente para o Meat Me, caso do Medronheiro, com Eduardino, Makers Mark infusionado com Queijo de Azeitão e Medronho Medonho. Surpreendente, também, o gelo, um enorme iceberg que ocupa a quase totalidade do copo. Foi esculpido no momento a partir de um bloco maior, para entrar no copo, e é de uma clareza inacreditável. Isto acontece porque o gelo é feito em casa, com uma fórmula de congelação mais lenta, para que as impurezas possam sedimentar. Depois, é só descartar essa parte turva e ficamos com um bloco cristalino. E como assim tem menos oxigénio, derrete mais lentamente e não dilui tanto o cocktail. É um pormenor engraçado, mas muito elucidativo do nível de detalhe a que chegam para oferecer a experiência perfeita.

          Não é capricho, é vontade

          Terminados os cocktails, é tempo de descer ao restaurante. Não é por estamos num paraíso de carnívoros que faltam ótimas opções para quem não come carne (ou não lhe apetece). Da ementa fazem igualmente parte deliciosos pratos como um Atum chimichurri ou um Polvo barbecue, nos principais, ou o Atum tougarashi com cebolinho, yuzu e tobiko, um Cremoso de batata assada e aioli, ou os Legumes assados com espuma de batata, nas entradas.

          Mas regressemos às carnes, pois somos convidados a espreitar o balcão onde estão expostas muitas das peças que serão servidas – por trás podemos ver as grelhas onde a magia acontece, da pariilla basca à robata japonesa – tendo em primeiro plano os Wagyu e as carnes maturadas com 90 e até 120 dias(!). Já lhe dissemos que o Meat Me é o único espaço em Lisboa e arredores, onde pode provar as carnes El Capricho, a mítica finca em Jimenez de Jamuz, Leon, onde tudo começa na escolha das melhores raças, e na forma como são tratadas ao longo da vida. Não há carnes novas e os animais vivem 15 anos, calmamente, porque uma vida feliz é fundamental para uma boa carne. Muitas das raças até são portuguesas (mirandesa, maronesa, minhota), e outras espanholas, porque a ideia está na preservação das raças autóctones da península. O famoso Wagyu, pelo contrário, vem do Chile, pelas mãos da Beef on Food, que representa os melhores animais desta raça fora do Japão. Já o porco, é preto e todo nosso. Da Montaraz, uma associação de produtores de Ourique que sabe muito bem exultar todas as características da carne marmoreada deste animal, que passeia livremente pelos montados de azinheiras e sobreiros a comer bolotas. Com a Montaraz, o Meat Me chegou ao ponto de criar um novo corte, um Tomahawk de porco preto, o grande corte de carne de vaca adaptado ao suíno.  Ao leme de todo o processo está um jovem chef, Tomás Pires, que tem aqui a sua primeira experiência a voar a solo, mas ao qual não falta currículo, até por ter passado os últimos dez anos como braço direito de Aimé Barroyer (Tavares Rico, Oitavos, entre outros).

              Na carta dos vinhos nota-se igualmente esta preocupação com a origem, de tal forma que a carta conta apenas com entradas portuguesas – exceção feita ao champanhe Laurent-Perrier – e divididas por terroir, onde cada terroir corresponde a um produtor: Quinta de Soalheiro (Minho), Quinta Nova e Casa Ferreirinha (Douro), Quinta dos Carvalhais (Dão), Luís Pato (Bairrada), Quinta do Pinto (Lisboa), Bacalhôa (Península de Setúbal), Esporão e Herdade do Peso (Alentejo). Cada um destes produtores escolheu ainda algumas preciosidades para oferecer no restaurante, por exemplo, a Ferreirinha oferece, a par com Reserva Especial e Barca Velha, um Vinha Grande de 1997. E o Esporão o seu Vinho da Talha, que não consegue encontrar em mais nenhum restaurante para além do da Herdade.

              Mas o Meat Me reserva ainda uma surpresa, prevista para muito breve: a abertura do Terraço, uma esplanada mesmo em frente ao restaurante, um espaço amplo entre o São Carlos e o São Luiz. Aqui será recriado o imaginário dos terraços do sul de França ou da vilas italianas. O Terraço terá uma carta própria, mais fresca, onde não faltará sequer um bar de ostras e o obrigatório champanhe. Já nos podemos imaginar a chegar para jantar ao fim do dia…

              Meat Me
              Horário: todos os dias, das 12h30 às 15h30 e das 19h00 às 23h45.
              Morada: Largo do Picadeiro 8 A, Chiado, Lisboa.
              E-mail: reservas@meatme.pt. Telefone: 21 347 1356.
              Preço Médio: 90 euros para duas pessoas.