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Tesla, de Lisboa ao Porto sem emissões Tesla, de Lisboa ao Porto sem emissões

Tesla, de Lisboa ao Porto sem emissões

Tesla, de Lisboa ao Porto sem emissões

Como é ligar as duas principais cidades do país a bordo do melhor elétrico do mercado?


Publicado em 15-Fev-2019

Será que já consegue ir de Lisboa ao Porto num elétrico sem parar para carregar?  
Yes we can
Devíamos?
Nem pensar.

Fizemos a viagem de teste a bordo de um Tesla Model X. O X tem a segunda maior autonomia do mercado, com 400 quilómetros, e só perde mesmo para o Model S, também da Tesla, com 420. Não são os valores anunciados pela marca, esses são superiores, mas antes os recolhidos pelo site espanhol Coches.net que basicamente andou com vários modelos até lhes esgotar a bateria. Ou seja, matematicamente é perfeitamente possível chegar ao Porto saindo de Lisboa (e vice versa), mas também sabemos que uma autoestrada não é propriamente o caminho mais amigo dos elétricos, e ainda existem fatores externos que o condutor não controla, como o frio por exemplo, que também afetam a autonomia.

Assim, se não quiser passar 300 quilómetros de coração na mão, a pisar ovos e com o ar condicionado desligado – e quem quer viajar assim? – o mais aconselhável é fazer uma breve paragem técnica.

Curta mesmo. Bastam cerca de 20 minutos ligados ao Supercharger de Ourém, a dois minutos da saída da autoestrada ao pé de Fátima, para levar a bateria de volta aos valores com que iniciámos a viagem em Lisboa. Ou seja, se sair com a bateria carregada esses 20 minutos são suficientes para chegar ao Porto com mais de 30% ainda disponíveis na bateria, uma boa margem de segurança. E isto fazendo a viagem sem grandes preocupações com os consumos. Continua a não ser exatamente tão prático como chegar a uma bomba e atestar em 5 minutos, mas é um pequeno preço a pagar para baixar a nossa pegada ecológica. Além de que o custo por quilómetro é bem mais barato.

O que é um Supercharger?
Os Supercharger são um dos maiores pontos a favor da Tesla. São exclusivos da marca e permitem carregar as baterias a uma velocidade muito superior à normal. Cerca de 120 kw/h, o que significa que em 30 minutos pode chegar aos 80% da bateria. Pela nossa experiência, num charger com dois carros ligados, 20 minutos foram suficientes para aumentar a autonomia em 200 km. Cada bloco pode carregar até dois veículos, mas nessa altura a potência máxima é dividida por ambos (ainda que quem chegou primeiro tenha alguma prioridade e consiga melhores taxas de carregamento). Por essa razão deve sempre escolher um vazio, se possível. Os carregamentos nos Superchargers são gratuitos para todos os Teslas comprados antes de 2018, e para os restantes a marca oferece os primeiros 400 KWh do ano. Em Portugal ainda não estão definidos os preços de carregamento, pelo que continuam a ser gratuitos, mas em Espanha, como referência, os valores são de 0,29 Km/h. Ou seja, mesmo gastando 23 Kwh aos 100 Km, o custo por quilómetro continua a ser muito mais barato do que a gasolina. Hoje existem cinco Superchargers no nosso país, e estão mais cinco agendados ainda para este ano, como pode ver neste mapa da rede europeia.

Fizemos a viagem a bordo de um X 100D que, como vimos, tem uma autonomia menor do que o S, mas o que são 22 quilómetros quando comparados com todo o espaço extra, visão ilimitada e inigualável do céu e das estrelas (com o maior para-brisas panorâmico em produção), e umas portas “Asas de Falcão”?

O X atrai garantidamente tantos olhares como um Ferrari ou Lamborghini, e parte da culpa recai nessas duas portas que toda a gente conhece por “asas de gaivota”, como nos Mercedes antigos, mas que a marca americana prefere chamar “de Falcão”, por uma questão de diferenciação e porque estão recheadas de tecnologia. Cada porta tem 6 sensores que permitem que se abra de maneira diferente consoante o espaço disponível, e bastam uns meros 30 cm livres, menos ainda do que necessita numa porta tradicional. Além disso os bancos também mexem automaticamente, para facilitar a entrada a bordo. As portas da frente são mais normais, mas mesmo essas fecham sozinhas quando se pressiona o travão, indicando que estamos prontos para andar.

O X pode ser extraordinariamente rápido – pisando a sério no acelerador vai dos 0 aos 100 em menos de 5 segundos – e surpreendentemente ágil, quase nos fazendo esquecer que estamos perante um SUV com dois metros e 27 de largura e mais de cinco de comprimento. O tamanho generoso é evidente no espaço interior disponível, quer para os ocupantes da frente quer de trás, onde cada passageiro tem direito ao seu banco dedicado. A bagageira é a maior do segmento e como não há motor ainda existe mais espaço à frente, na Frunk, como lhe chamam os americanos, unindo as palavras “front” e “trunk”.

Velocidade e agilidade, conforto e espaço estão muito bem, mas o Tesla impressiona verdadeiramente pelo profundo requinte tecnológico, com um enorme tablet de 17 polegadas a ocupar a parte frontal do tablier. Trata-se do centro nevrálgico que tudo controla, pois praticamente nem existe qualquer botão físico, nem sequer para abrir as portas ou controlar a climatização. Sempre On, o Tesla vai recebendo constantes atualizações, como um telemóvel, que podem melhorar a capacidade da bateria, dos desempenhos ou acrescentar segurança. Pode também ligar-se ao Spotify, para ouvir música, ou ao You Tube. Não faltam soluções de entretenimento a bordo.

O X foi construído a pensar na segurança e tem a honra de ter sido o primeiro SUV a conseguir 5 estrelas nos testes NCAP, mas para se perceber realmente até onde vai essa preocupação, o sistema de filtragem de ar tem um modo que cria uma pressão positiva dentro da cabine, protegendo os ocupantes até de ataques biológicos – e se parece um exagero experimente ficar preso atrás de um diesel que nunca devia ter passado na inspeção durante a subida para a serra dos Candeeiros.

Chegados ao Porto, o programa turístico incluía, no dia seguinte, uma visita às caves da Taylor’s em Gaia, o que permitiu deixar o Tesla a carregar no Destination Charger (outro exclusivo da Tesla) localizado no parque do hotel Yeatman, mesmo ao lado. Não sendo tão rápido (22 Kw) durou cerca de três horas e meia para chegar à carga máxima. Menos do que a duração da visita, com almoço, pelo que não se perdeu tempo nenhum a ter o Tesla pronto para atacar o resto do fim de semana. Menos até do que uma ida à bomba, por muito rápida que esta fosse.

Na viagem de regresso voltámos a parar “obrigatoriamente” na estação de Fátima, que estava praticamente cheia. Dos oito slots disponíveis apenas dois estavam livres – e pouco depois não restava nenhum. Se todos estiverem ocupados pode ser um problema, mas a abertura de mais um Supercharger na zona de Aveiro vai certamente minimizar esse risco. Também se pode manter na autoestrada e utilizar um posto de carregamento rápido normal, claro. No total fizemos mais de 650 quilómetros e apenas pagámos portagens, mas mesmo que fosse necessário pagar os kWh, os custos com o combustível teriam sido certamente o dobro. E mesmo um viciado em gasolina tem de reconhecer que um Tesla é automóvel especial.