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SÁBADO por C-Studio

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Vinhos Crochet e Tricot: 2 regiões, 2 enólogas, uma amizade

Vinhos Crochet e Tricot: 2 regiões, 2 enólogas, uma amizade

Feitos a quatro mãos no Alentejo e no Douro, o Crochet e o Tricot são dois vinhos tintos perfeitos que já partiram à conquista do mundo.


Publicado em 03-Abr-2019

Nem Susana Esteban nem Sandra Tavares são fadas do lar. Pelo contrário, a vida é passada no terreno, entre adegas e provas. Mas foi precisamente pela ironia de serem mulheres num mundo (que ainda é) de homens que foram buscar os nomes deste projeto aos lavores femininos. Por isso e porque são ambos vinhos produzidos com minúcia e atenção ao detalhe. Um nasceu no Alentejo e o outro no Douro, porque é no Sul que Susana mais trabalha e Sandra a norte, mas não se pense por um momento que alguma dedicou mais atenção a este ou àquele vinho. Foram ambos definidos rigorosamente a quatro mãos, e é essa a beleza do Crochet e do Tricot.

Susana Esteban, apesar de espanhola, foi a única mulher a vencer o prémio de enóloga do ano em Portugal. Os seus Aventura e Procura, do Alentejo, são admirados e desejados em igual medida, aquém e além-mar, e é ainda enóloga consultora em projetos como Tiago Cabaço Wines, Herdade do Barrocal, Monte dos Cabaços ou Monte da Raposinha.  Sandra Tavares, por sua vez, produz alguns dos vinhos mais afamados do Douro, seja no Vale D. Maria, com Cristiano Van Zeller, seja no projeto Wine and Soul (Pintas e Manoella) com o marido Jorge Serôdio, também ele enólogo. E é ainda a enóloga da quinta de família, esta às portas de Lisboa, a Quinta da Chocapalha.

As duas conheceram-se em 1999, no Douro, recém-chegadas à região e ao mundo dos vinhos, o que fortaleceu instantaneamente a ligação entre ambas. Era o início de uma bonita amizade que dura há tanto quanto o tempo que levam de enologia, e foi precisamente pelo desejo de estarem mais vezes juntas que arranjaram esta “desculpa” de fazerem um vinho a quatro mãos. E, no que toca a desculpas, é a melhor de todas: a Wine Advocate, do crítico Robert Parker, atribui 94 pontos ao duriense Crochet e 95 pontos ao alentejano Tricot, ambos da colheita de 2015. Duas pontuações de excelência apenas ao alcance de vinhos “tremendos” que revelem “complexidade e carácter excecionais” como se pode ler no guia.

Com o Crochet e o Tricot, Susana e Sandra procuram mostrar o melhor de cada região. No primeiro caso, um blend irrepreensível de 60% Touriga Franca, 40% Touriga Nacional; no segundo, um blend, em partes iguais, de Touriga Nacional e de vinhas velhas da serra de São Mamede, com várias castas tradicionais. Trata-se de um néctar com elevado gosto a fruta, que combina elegância e precisão e soma-lhe muita frescura, o que deixa antever um grande potencial de evolução. Os dois estagiaram 18 meses em barricas de carvalho francês e o resultado merece ser provado, juntos ou por separado.

O Crochet tem uma pontuação de 4,3 e o Tricot de 4,1 no Vivino. Ambas as garrafas têm um preço de referência de 30 euros.